sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

ALMAGAMADA 8

Para os críticos de plantão?
Ou para os incultos que rondam meu portão.
Não sei mais o que fazer,
Escrever não esta me dando mais nenhum prazer.

Escrevo para alguém que sabe,
Que no meu coração cabe,
Que sabe da chama que em meu peito arde,
Mas que nem assim faz alarde.

E mesmo que fizesse alarde,
Acho que seria muito tarde,
É que já desperdicei todas as chances de retorno,
Já enviei ate flores em suborno.

Mas tudo foi em vão,
Eu acreditei na doce ilusão
De que ainda existia um pouco de amor
Capaz de acalmar tua dor.

Mas porque sofro tanto?
E de que me valeu tanto pranto,
Eu só queria estar contigo,
E não estar ao teu lado só pode ser castigo.

Se for castigo, pago qualquer preço,
Mudo até de endereço.
Por você faço qualquer sacrifício,
Só não peça que deixe meu ofício.

Por que escrever é meu ofício,
E também meu vício.
Por isto não posso errar,
Muito menos fraquejar.

ALMAGAMADA 7

E mesmo que a alma
Seja calma,
Nada acalma
Uma alma inquieta.

Fiz tudo por amor,
Por amor fiz o que fiz,
Quis compartilhar meu amor,
Quis apenas ser feliz.

Dizem que a felicidade
É um estado de espírito,
Que independe de idade,
É sentimento que não pode ser descrito.

Se ser feliz era meu intento,
Queria que fosse ao seu lado,
Mas perdi o momento,
E hoje sigo desolado.

Não esta sendo fácil escrever esta poesia,
Eu bem sei disto,
Mas não preciso de nenhum visto,
Para transmitir aos outros minha alegoria.

Alias, não sei por que ainda escrevo,
Ninguém mais lê,
Ninguém mais crê,
Realmente não sei por que ainda escrevo.

Se neste mundo não há mais belezas,
Alegrias ou sutilezas,
Se for pensar bem,
Escrever para quem?

ALMAGAMADA 6

Que ele consiga desvendar
A mensagem criptografada da poesia,
E que não tenha medo de revelar
A minha verdadeira filosofia.

Eu não sou nenhum filósofo,
Às vezes, filosofo,
Outras vezes, discordo,
Poucas vezes concordo.

É que dizem que o poeta é um Vate,
Um profeta que se bate,
Que usa a poesia para alterar destinos,
Com seus belos versos finos.

Como poeta, sofro com as dores alheias
Como se fossem minhas,
Dores que se tornam falsas idéias,
Transformando-se em versos e rimas mesquinhas.

Por isto quando digo,
Que meus versos não têm rima
Na verdade não ligo.
Eles realmente não têm rima.

Não tem a rima que quero,
Nem o encanto que espero,
Fica claro que tenho inveja,
Dos poetas ou de quem quer que o seja.

Devo esquecer a hipocrisia,
Porque jamais disse que o que escrevia,
Vinha do fundo de minha alma,
Na verdade escrevo buscando a calma.

ALMAGAMADA 5

É gratificante ver um poema nascer,
Tomar forma e crescer,
Vê-lo ensaiar os primeiros trôpegos traços,
E poder ajudá-lo a desviar-se dos inúmeros percalços.

O poema depois de pronto,
Seguira seu próprio rumo,
E mesmo que estiver fora de prumo,
Será bem melhor que um conto.

Não pensem que sou contra os contos,
Eu também os escrevo,
Mas só na poesia me enlevo,
Mesmo com todos os descontos.

Antes escrevia a mão,
Errava, apagava e recomeçava,
Custei a me acostumar com a digitação,
Agora eu digitava e apagava, digitava e apagava.

Tenho uma caneta filigrana,
Que me custou muita grana,
Tenho-a não por vaidade,
Mas por pura necessidade.

É que por serem caneta-tinteiro,
Elas não deformam minha grafia,
Que é diferente da minha ortografia
De poeta aventureiro.

Quero que o leitor desavisado,
Compreenda a intenção do verso,
Que descubra este vasto universo,
Através do subterfúgio por mim utilizado.

ALMAGAMADA 4

Tentei então manter-me discreto
Quanto ao que sentia,
Tentei mantê-lo secreto,
Mesmo sabendo que mentia.

Por isto, quando escrevo ganho asas,
Vou a todas as casas,
Não importa se a porta e de cobre,
Ou um casebre de um pobre.

Arrebento as tramelas se for preciso,
Jamais fico indeciso,
Eu chego das alturas,
E espanto todas as loucuras.

Depois o louco sou eu,
Eu que apenas poetizo,
E dizem que até faço feitiço,
Porque tenho um mundo só meu.

Mas quem sou eu para pensar assim,
Este poema parece que não quer ter fim,
É totalmente independente,
Debochado e indecente.

Eu sou um poeta cognitivo,
Busco o auto conhecimento,
O que escrevo não é definitivo,
É tudo questão de momento.

E o momento é de parir este poema,
Cuidar da sua gestação,
E dar-lhe boa educação,
Para que no futuro não se torne um dilema.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

ALMAGAMADA 3

Escrever para mim tornou se um vicio,
Que se fez desde o inicio,
Uma espécie de sina,
Que insiste e me ensina,

Agora, se é de qualidade o que escrevo,
Isto é eu não sei, sei escrever.
Se meu destino é escrever,
Então escrevo.

Eu acreditava que qualquer um podía ser poeta,
Que era so começar a escrever e pronto,
Ja nascía um grande poeta,
Mas este não era o ponto.

Um poeta deveria ter uma motivação,
Algo que lhe despertase a inspiração,
Que fosse marcante
Único e palpitante.

Então quando te conheci,
Tudo dentro de mim se alertou,
Todo se despertou,
E eu nunca mais te esqueci.

Quis ser mais do que deveria ser,
Não era para querer tanto, mas quis,
Quis descobrir teus segredos mais sutis,
Desvendar o âmago do teu sublime ser.

Confesso que no começo não pensei em sexo,
E não pensar em sexo é tão sem nexo
Que percebi que havia algo errado.
Tive medo de estar realmente apaixonado.

ALMAGAMADA 2

Talvez sim.
Talvez não.
A escravidão chegou ao fim,
Hoje ate nos estendem a mão.

Será que quando virem meus cabelos encaracolados,
E Esta minha cutiz parda,
Será que não ficarão amolados,
Ao verem que não tenho nenhuma sarda?

Alguns empinarão seus narizes,
Outros sentirão dores em suas verdes varizes,
Poderão ate reclamar aos brados,
Os recalcados e os desequilibrados.

É que não há em lugar algum,
Digo, em lugares de destaque,
Danças e sons de atabaque
De Afro descendente nenhum,

Será que os negros são poucos?
Ou Será que há muitos brancos?
Mas isto não vem ao caso.
O que importa é o que eu faço.

Eu faço poesias.
Escrevo poesias.
Vivo de poesia.
Sou todo poesia.

Só fui conhecer as letras,
A língua portuguesa e as suas regras,
Assim que comecei a ler,
Desde então não parei mais de escrever
.